Cadê tu, quati?

Nesta primeira edição, o festival toma como tema e conceito a sonora pergunta “Cadê tu, Quati?”. Na voz das crianças pertencentes às múltiplas infâncias, a questão soa como chamado ao que é novo, irreverente e transformador. Um grito na mata, uma parlenda, uma cantiga oral do Brasil profundo. Concebido por Renato Forin Jr., coordenador de comunicação do Quati Criança!, o conceito propõe aos pequenos o desafio de percorrer a programação como uma aventura repleta de descobertas em que eles próprios são os guias.
 
Trata-se de uma expedição à procura do quati por sete domínios da natureza (ligados aos saberes ancestrais e às religiões de matriz africana) e encontrar neles o arquétipo do aventureiro, do explorador, do curioso – que, no fim das contas, é o retrato da própria alma infantil, que percebe o mundo com olhar sempre renovado e permite-se à experiência do sentir. Uma lição, aliás, para o embrutecimento da vida adulta, já que as crianças são as mestres e protagonistas do evento. Nas palavras de Ilo Krugli, homenageado com a presença de egressos da trupe Ventoforte nesta edição, “não se ensina teatro às crianças porque não se ensina missa ao papa”.
 
Os referidos domínios da natureza, afinados com a centralidade do meio ambiente no ideário do festival, atravessam todas as atrações escolhidas pela curadoria adulta a partir de pistas das crianças curadoras: espetáculos, vivências artísticas, oficinas, bate-papos. E projeta-se nas experiências sensoriais do público, em cores, texturas e sons: no cartaz, na vinheta de abertura dos espetáculos e do vídeo, no livro de atividade que recebem no teatro, nos textos de divulgação, nas brincadeiras que atravessam as redes sociais. Na experiência virtual, mas, sobretudo, presencial do encontro. Na travessia, enfim, de uma expedição que levará ao encontro final do Quati-Criança dentro de todos nós. 
 
Às mestres-crianças, quatis de todas as cores, idades, regiões e religiões, a historinha da nossa aventura: 
O ponto de partida
 
Ei, criançada, chega pra cá!
Nossa aventura já vai começar.
Você pode ter qualquer idade —
O importante é chegar com vontade.
 
Traga um adulto que seja esperto:
Quati-mamãe, quati-papai ou vovô…
Quati-titia é bom ter por perto!
 
Cada espetáculo traz uma pista,
Pra gente, no final, celebrar a conquista.
 
Tem uma pergunta que move a expedição
E duas regrinhas pra dar mais emoção:
 
A primeira é que devemos estar sempre juntos,
Pois cada um contribui com os seus assuntos.
Um vê pegada, outro escuta um barulhinho,
E, assim, lado a lado, a gente abre caminho.
 
A segunda é cuidar muito bem da natureza,
Porque ela é nossa casa e nossa riqueza.
Em seus domínios vamos agora adentrar,
Com respeito e cuidado para a meta alcançar!
 
Agora está na hora da pergunta principal,
Que guia os nossos passos por todo o festival:
 
Cadê tu, quati?
Será que estás aqui?
Vamos sair no teu encalço,
Seguindo tuas pegadas
Na trilha dos nossos passos
 
1. Domínio do Fogo
 
Cadê tu, quati? 
Será que viu este clarão?
A cobra que brilha na mata escura 
Incendeia a nossa imaginação!
 
Cadê tu, quati?
Será que estás aqui?
Vamos sair no teu encalço,
Seguindo tuas pegadas
Na trilha dos nossos passos.
 
2. Domínio da Terra
 
Cadê tu, quati?
No quintal ou na imensidão?
O mundo inteiro cabe
Na palma da nossa mão!
 
Cadê tu, quati?
Será que estás aqui?
Vamos sair no teu encalço,
Seguindo tuas pegadas
Na trilha dos nossos passos. 
 
3. Domínio do Ar
 
Cadê tu, quati?
Voando no vento ligeiro?
Ou caminha no alto galho
com um gigante aventureiro?
 
Cadê tu, quati?
Será que estás aqui?
Vamos sair no teu encalço,
Seguindo tuas pegadas
Na trilha dos nossos passos. 
 
4. Domínio das Águas
 
Cadê tu, quati? 
Nadando no rio ou no mar? 
Onde o barquinho navega 
Temos mistérios pra desvendar!
 
Cadê tu, quati?
Será que estás aqui?
Vamos sair no teu encalço,
Seguindo tuas pegadas
Na trilha dos nossos passos. 
 
5. Domínio do Humano
 
Cadê tu, quati?
No riso que tudo ilumina?
Entre o Fofão e o Palhaço
Tocando tua concertina!
 
Cadê tu, quati?
Será que estás aqui?
Vamos sair no teu encalço,
Seguindo tuas pegadas
Na trilha dos nossos passos. 
 
6. Domínio das Florestas
 
Cadê tu, quati? 
No mato, entre o nó e o pano? 
A floresta guarda o segredo 
Do povo que é soberano!
 
Cadê tu, quati?
Será que estás aqui?
Vamos sair no teu encalço,
Seguindo tuas pegadas
Na trilha dos nossos passos. 
 
7. Domínio do Tempo
 
Cadê tu, quati? 
Nesse encontro tão real? 
No presente que a gente vive 
Neste grande festival!
 
Cadê tu, quati?
Será que estás aqui?
Vamos sair no teu encalço,
Seguindo tuas pegadas
Na trilha dos nossos passos. 
 
O ponto de chegada
 
Nossa jornada foi longa e bonita,
Cruzamos o fogo e a mata nativa.
Pisamos a terra, estrelas no chão,
Para o universo, somos só um clarão.
 
Subimos no ar com pés de gigante,
Encontramos palhaços, fofões e brincantes,
Nadamos por rios atrás de uma flor,
Os nós dos nossos laços amarraram amor.
 
Sempre em busca da criança
Em forma de quati,
Ainda temos a esperança
De encontrá-la um dia aqui.
 
Mas agora pare um pouco, lembre dos espetáculos,
Oficinas e vivências. E também dos bate-papos.
A trilha termina onde o peito palpita,
É dentro de nós que esse bicho habita!
 
O fogo te encanta, a água te nutre,
A terra sustenta, ar puro te supre.
Você, curioso, depois de toda andança,
Você é o próprio Quati-Criança!
 
Achei tu, quati!
Descobri você aqui!
Me deixa ficar descalço,
Pois sigo as minhas pegadas
Na trilha dos próprios passos.