Durante as vivências, crianças descobrem a mágica da iluminação cênica, com Álvaro Canholi, Carin Louro e o diretor da Panorando Fábio Moura (foto: Fábio Alcover)

Nos bastidores do encantamento: crianças descobrem como produzir um festival durante o Quati Criança!

Vivências de produção artística levaram o público infantil para dentro das coxias dos teatros, revelando tudo o que faz a arte acontecer

No Quati Criança! – Festival das Infâncias, parte da magia do teatro aconteceu antes mesmo de os espetáculos começarem. Como numa verdadeira aventura, um grupo de crianças teve a oportunidade de participar das vivências de produção artística para descobrir, de perto, como várias equipes trabalham nos bastidores de um evento para que as cortinas se abram e as luzes se acendam. 

Conduzidas por Álvaro Canholi, diretor de produção e co-idealizador do festival, as vivências foram realizadas nos dois últimos dias do Quati Criança!, em dois espaços bastante distintos, o Cine Teatro Ouro Verde e o Sesc Cadeião. A proposta era simples, mas potente. Mostrar às crianças que a arte não acontece só no palco, mas também nos corredores, nos camarins, na cabine técnica, na bilheteria e em todos os lugares onde o teatro se organiza como organismo vivo.

“A gente queria proporcionar às crianças a experiência de estar dentro de um edifício teatral, mas nos bastidores, conhecendo espaços que são um mistério não só para elas, mas também para muitos adultos”, resume Canholi, reforçando que a atividade se transformou em um mergulho lúdico e sensível na engrenagem que sustenta o fazer artístico.

No Ouro Verde, as crianças puderam conversar com a bilheteira, conhecer onde os ingressos são organizados e vendidos e entender a importância de uma função que, muitas vezes, passa despercebida aos olhos do público. Também circularam por áreas técnicas, observaram o elevador de carga por onde chegam cenários e equipamentos, conheceram os pavimentos internos do teatro, os camarins com figurinos já preparados para os artistas e até a cabine de operação, onde luz e som ajudam a construir a atmosfera de cada cena. Eles puderam, inclusive, assistir aos ensaios.

Segundo Canholi, conhecer o que há por trás do palco ampliou o encantamento dos pequenos pelo teatro. “Mesmo nos bastidores, elas continuam com esse olhar de fantasia”, conta o diretor de produção.

Frederico Laguna, de 9 anos, acompanhou quase toda a programação artística do festival, além de participar das vivências de produção no Ouro Verde e Sesc Cadeião. Com uma câmera fotográfica – emprestada da mãe – em mãos, ele também registrou momentos dos bastidores. “Eu achei muito maneiro, eu adorei o Quati Criança! Foi muito divertido. Eu amei os espetáculos. O meu favorito foi ‘Bicho Alumbroso’. Eu amei a interação, eu amei tudo”, comenta o quatizinho.

Para Álvaro Canholi, abrir os bastidores para a criançada também reafirma um princípio importante do festival, que é valorizar todos os profissionais que tornam a experiência possível. “É muito importante valorizar os técnicos e técnicas de cultura, todo mundo que faz o teatro acontecer, não só os artistas”, destaca. Ao conversar com bilheteiros, técnicos, gestores e operadores, as crianças puderam perceber que um espetáculo é sempre resultado de um trabalho coletivo, feito por muitas mãos, vozes e saberes. 

Território de descoberta – A experiência também marcou profundamente o próprio diretor de produção, que estreou no papel de mediador entre as crianças e o universo da produção cultural. Ator e produtor, ele transformou seu espaço de trabalho em território de descoberta compartilhada. “Foi um desafio, mas foi muito rico para mim. Faz com que eu possa acreditar que há um futuro, sim, das artes londrinenses a ser escrito, tocado, assumido e conduzido por essas crianças”, afirma Álvaro Canholi.

A dimensão formativa que percorreu toda a programação do Quati Criança!, além de despertar curiosidade, mostrou às crianças que a arte é feita de processos, escolhas, cuidado, técnica, organização e presença. E, ao mesmo tempo, lembrou aos adultos que o teatro é um espaço de pertencimento. “O teatro é um espaço para todos e todas, para toda a família. E a criança, a gente sabe, é quem leva o adulto”, diz Canholi, reforçando que a inclusão e a acessibilidade se fizeram presentes desde a escolha dos ambientes onde seriam realizadas as atividades até a presença de intérpretes de Libras em alguns espetáculos e vivências.

Ao final do festival, as vivências de produção artística se consolidaram como uma das experiências mais emblemáticas desta primeira edição, por partir da escuta e da confiança na inteligência das crianças. “No Festival das Infâncias, as crianças não são apenas espectadoras, elas são também observadoras, curadoras, interlocutoras e, quem sabe, futuras artistas, técnicas, produtoras, iluminadoras, cenógrafas ou diretoras. Foi uma vivência enriquecedora e que com certeza será ampliada na próxima edição, com mais mediadores, mais tempo e mais crianças”, projeta Álvaro Canholi.

O Quati Criança! é uma produção da PÁ! Artística, por meio de projeto aprovado no Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura do Paraná (PROFICE), da Secretaria de Estado da Cultura, Governo do Estado do Paraná, com apoio exclusivo da Copel – Pura Energia. Tem parceria com a Casa de Cultura da UEL, Divisão de Artes Cênicas da Casa de Cultura (DAC), Funcart, Secretaria de Estado da Educação, Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Secretaria Municipal de Cultura, Hub Cultural Porto Dragão, Secretaria da Cultura do Ceará, Instituto Dragão do Mar, Sanepar, Transportes Coletivos Grande Londrina, Curso de Artes Cênicas da UEL, Sesc Londrina Cadeião, Sesc Londrina Norte, Hotel Crystal, John O’Groats, Loja Ciranda, Restaurante Caco, Londrina Grill, Brah! Poke and Salad, Kings Café, Sabor & Ar, Royal Plaza Shopping e ILECE.